quinta-feira, 14 de junho de 2007

4) A importância de fazer o caminho também pelos outros...!

Este é último texto que irão ler antes de eu iniciar o caminho português de Santiago de Compustela. Amanhã parto para o Porto de comboio (trem) e lá pego o autocarro (ônibus) para Ponte de Lima.

Andiamo avanti...que 150 km me esperam!

Espero ter algum tempo e quem sabe acesso a computadores para colocar aqui meus relatos...se isto não ocorrer, vão ter de esperar até o final da jornada!

Considero que de uma certa forma que há duas semanas já estou fazendo o caminho... começou pela decisão, pelas buscas na internet, os livros, os sinais, as compras de vestuário e equipamentos mais adequados para tal marcha, este blog (todos fazem depois do caminho...eu resolvi me adiantar!), o papo com os amigos....antes parceiros da jornada, agora por motivos pessoais, já não vão mais. Bem, não deve ser ainda a hora deles!

Sinto uma certa ansiedade e já não durmo direito imaginando seu início! É certo que faço isto por mim, mas também faço por todos aqueles que me acompanharão mentalmente, e também em espírito e coração. Com e por eles, vou meditar nesta empreitada:

* Pela minha companheira Patricia e meu filho Daniel...o amor e o carinho que sinto por eles..que haja luz no vosso caminho!
* Pelos meus pais e irmãos, pela paz e saúde a todos, principalmente a minha mãe, que tenha ânimo para enfrentar seus problemas!
* Por todos aqueles da 'grande família', que a harmonia e a alegria esteja sempre presente, mesmo nos desentendimentos...que são menores diante da nossa união!
* Pelos amigos que aqui estão e aqueles do outro lado do Atlântico, a paz e saúde deles, de suas companheiras e filhos!

Fica aqui uma poesia recuperada(...sim também naveguei neste mares, inspirado por esta terra de poetas!...a antologia completa dos anos 80, fica para mais tarde):

Buscas

Em que mar nos encontramos?
Onde os ventos sopram velas cansadas,
os rostos são queimados
e os portos errados!

Em que deserto estamos?
Onde os dias são quentes
e as noites com o poente chegam,
frias como mármore
e como beduínos vagueamos até a morte alcançar!

Em que labirinto nos debatemos?
onde os caminhos são muitos,
a luz é pouca e incertas são as saídas!

Em que lua te escondes?
Onde teu brilho não alcançamos e ciganos somos
contentando-nos apenas com a rosa vermelha da amada,
que em volta da fogueira dança!

Eloy, Lisboa 03/1988

Um comentário:

Edilson disse...

Boa Sorte irmão!
Que esse caminho te leve a outros novos caminhos... Que todos os caminhos sejam luminosos.