Uma peregrinação (do latin per agros, isto é, pelos campos -- assim evitava-se também os ladrões que assaltavam em estradas) é uma jornada realizada por um devoto de uma dada religião a um lugar considerado sagrado por essa mesma religião.É um outro conceito de viagem, a que implica um percurso, um fazer do caminho, um aprender com esse caminho – uma prática do caminho.
O termo "Peregrino" aparece em nossa língua na primeira metade do século XIII, para denominar os cristãos que viajavam a Roma (dái a palavra romeiro) ou à Terra Santa (onde atualmente se encontra o Estado de Israel e os territórios palestinos) para visitar os lugares sagrados, às vezes como castigo auto-imposto com o objetivo de pagar determinados pecados e outras vezes para cumprir penas canônicas. Desses peregrinos surgiria mais tarde a idéia das Cruzadas, enviadas para ‘reconquistar’ os lugares que os cristãos consideravam sagrados e que estavam em poder de povos de outras religiões.
As peregrinações ocorrem desde os tempos mais remotos, mesmo nos chamados tempos primitivos em que predominavam os costumes ou chamados 'ritos pagãos'. Existem escritos de locais de peregrinação muitas vezes ofuscados pela própria religião cristã, como o caso da Catedral de São Tiago que fora construída sobre um 'templo pagão'.
Para peregrinar há que ter em conta que não se trata apenas do ato de caminhar (no caso da peregrinação a pé), ou executar um trajeto com um determinado número de quilómetros; é reconhecido que peregrinar carece caminhar-se motivado “por” ou “para algo”. A peregrinação tem, assim, um sentido e um valor acrescentado que é necessário descobrir a cada pessoa que a executa.
O Homem na sua vida é, definitivamente, um peregrino: um ser em busca de si mesmo, da sua própria identidade e da transcendência. É por isso que a peregrinação aporta o caráter simbólico de plasmar visivelmente o caminho que se recorre interiormente. O tempo da nossa vida é como uma peregrinação que tem um ponto de partida, um caminho que recorrer e uma meta a que devemos chegar: somos homo viator -- 'um homem ligado à prática do caminho e à aprendizagem que essa prática implicava. O homo viator tem, afinal, a viagem intrínseca ao seu dia-a-dia'.
Bon voyage!
* Foto e parte da informação da Associação Espaço Jacobeus -
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