Na vida, dizem, que devemos saber ler os sinais...não falo das setas amarelas e das conchas vieiras que sinalizam o caminho de Santiago, mas sim o que vem antes! Será que eles aparecem e não percebemos por que não estamos atentos o suficiente?Quando viemos a Portugal este ano, por conta de minha pesquisa de pós-doutorado, fomos parar no Oeste, propriamente na Lourinhã, a 'terra dos dinossauros lusitanos' (quer saber mais, visite o site do www.museulourinha.org e conheça o Lourinhanosaurus antunesi). Nos intervalos do trabalho, passeamos muito pela região, inclusive visitamos a Igreja de Santa Maria do Castelo, um verdadeiro templo gótico erguida no Século XIV, sucedendo outra igreja do século XII e que antes foi o local onde os árabes haviam edificado um castelo. Ficamos impressionado pela beleza rústica da construção em pedra e na altura observei algo difente em uma das portas laterais e que ficou gravado na memória.
Ao lado norte da Igreja encontra-se uma porta ogival, de arestas chanfradas, decoradas com carrancas e vieiras esculpidas, estas últimas simbolizando os peregrinos que se dirigem a Santiago de Compostela, o que faz supor que Lourinhã situa-se nos caminhos de peregrinação.
Somente vim fazer a ligação mais tarde, quando fui fazer a credencial do peregrino junto a Sociedade Portuguesa dos Amigos de Santiago, na Charneca da Caparica, quando o francês Henry tomou meu cartão de contribuinte (havia esquecido de levar qualquer documento) e viu o nome de Lourinhã, comentando o fato da existência da igreja (...estaria ali o primeiro sinal!)
Já em Lisboa, a vésperas das festas juninas, num final de domingo, andando pela praia de Fonte da Telha, na Costa da Caparica, com os amigos, Sunahara e Regina -- uma alemã que adora catar conhas e que acaba me presentendo uma! Nada mais, nada menos, que uma vieira (...quem sabe, o segundo sinal..!).
Vou a feira do Livro no Parque Eduardo VII e lá me deixo levar entre as editoras e os milhares de livros expostos. Títulos, romances, ficções, ciência, poesias, autores autografando obras....tudo extremamente interessante! Mas o que eu procurava, achava que devia aparecer a minha frente (agora, já atento a sinais!). Não tardou...paro em apenas uma editora e uma simpática senhora me entrega nas mãos um livro pequenino com o título: 'A Caminho de Santiago -- como quem procura uma fonte e uma estrela' (...talvez, o terceiro sinal!).
E na feira também que encontro também (...no meio daqueles livros que custam 5 Euros, os quais as editoras se querem ver livres!), uma literatura que me remete aos meados do anos 80 quando vivi em Lisboa. O livro é 'Contos do País dos Sufis', de Mojdeh Bayat e Mohammad Ali Mamnia. Lendas e contos fazem parte da tradição mística do Islão conhecida pelo nome de Sufismo. Descobri os sufis em 1985 quando li 'Encontros com Homens Notáveis', de George Ivanovitch Gurdjieff, onde ele relata suas experiênicias com os mestres sufis na sua busca através do Oriente Médio e Ásia Central, iniciada em 1883, para encontrar respostas as questões do sentido da vida (em 1979, o Peter Brook transformou tudo isto em filme). Depois deste, li outros de seus discípulos até fazer uma viagem a Turquia em 1986, quando a intenção era ficar uma semana e acabo lá me 'perdendo' por um mês e 'acidentalmente', acabo em Konya, a cidade dos derviches dançarinos, que fazem parte de um dos rituais sufis, mas está é uma outra estória! (...mais sinais?...well, a interpretação é livre!)
BARAKA para todos!
Quer saber mais sobre os sufis e Gurdjieff visite o site: http://www.nokhooja.com.br/grupo_mov_biografia.html
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